quinta-feira, 11 de junho de 2009

Não se pode amar por outrem.
Tudo o que se pode fazer é amar.
Fechar os olhos e amar.
Mesmo sabendo que pode ser em vão.
Mesmo sabendo que talvez esse amor não seja o bastante.
Mesmo sabendo da esterilidade de nossos sentimentos diante dos sentimentos alheios.
Mesmo sabendo que esse amor se reduz ao nosso coração e que não nos garante nada – absolutamente nada – do amor alheio.
Precisa-se amar.
Precisa-se pegar gripe.
E precisa-se deixar ir embora.
E precisa-se entender que a felicidade alheia as vezes vai nos agredir e que nem por isso ela vai deixar de existir.
Ninguém vai deixar de estar feliz porque a gente não está feliz.
E ninguém vai preencher os nossos vazios, nem com beijos, nem com declarações.
Um dia decerto aprende-se a conviver com o fato de que pessoas saem de nossas vidas para viver vidas extraordinárias que – incrivelmente – acontecem no mesmo mundo em que vivemos.
E aprende-se também que algumas pessoas que importam muito pra nos, já alimentam o esquecimento eterno da gente. E que olhar no relógio as 22:22 não significa absolutamente nada.
Um dia decerto a gente encontra um lugar ao qual pertencer, alguém em quem descansar os velhos medos de fantasmas e nossa velha fome de fadas e elfos.
E nesse mesmo dia talvez pense-se que o passado é passado e jogado fora... e que todos aqueles erros não importam porque chegamos a esse dia e valeu a pena. Tenha sido a pena a desistência de um sonho, de dois amores ou uma vida de artista.
E talvez ainda nesse dia possamos tirar de nossos ombros todas as dores e ausências e jogá-las ao vento porque já não tem peso algum sobre o que somos.
E também pode-se finalmente sorrir sem precisar provar pra ninguém o quão maravilhosa a vida nos parece. E quantas paixões loucas em festas extraordinárias estamos vivendo sem que o tédio tenha participado de nenhum dia de nossas vidas há muito tempo.
Daqui dez anos nenhuma dessas paixões terá um nome ou mesmo um gosto. E a embriaguez daqueles dias será menos que uma nostalgia.
Ainda assim terá valido a pena. Tenha sido a pena algumas horas maçantes estudando trigonometria ou física quântica. Ou o que quer que custe essa borboleta amarela a que chamamos felicidade e que parece sempre mais atraente quando pousada no jardim alheio.

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