quinta-feira, 17 de março de 2011

Houve um tempo em que fazer aniversário era bom. Não, não estou me sentindo  - precocemente ? - velha. É só que já não se pode dizer que estou longe da Lira dos 20 anos.
O que eu sinto saudade é da minha infância querida que os anos não trazem mais, como dizia o poeta. E a menina dos meus olhos não é inocente como foi um dia, tampouco as coisas que me preocupavam tão pouco naquela época, hoje eu posso deixar pra lá.
Você cresce e vê que existir dá trabalho, tem burocracia demais, custo demais, estresse demais. Incompreensão demais. E hipocrisia. E injustiça.
Sem contar que nem sempre as compensações crescem proporcionalmente ao número de desenganos, como no Soneto de aniversário de Vinícius..
Aquela pose heideggeriana de quem pensa que não existe mundo, existe só eu não causa mais efeito algum sobre as pessoas além de incompreensão e intolerância.
Ah, enfim, houve um tempo em que eu me sentia tão feliz quando fazia aniversário, agora sempre que eu faço aniversário lá vem o meu relógio biológico reclamando um ciclo vital que eu talvez não cumpra, me falando em sucesso profissional que eu talvez não obtenha, me falando de um grande amor que eu talvez não viva. E assim vai. Sem os brigadeiros da minha mãe e sem os abraços do meu pai ou o barulho feliz que enchia a minha adolescência feito pelos meus amigos. Presentes? Só as velhas ausências.
Feliz aniversário, envelheço na cidade 

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