quarta-feira, 22 de junho de 2011

Troca-se uma pedra de crack por um crença qualquer

 A existência do crack serve, pelo menos, para que se possa falar “fumar cocaína” sem se dizer, exatamente, um absurdo. O crack é uma espécie de cocaína prostituída, uma prima pobre das grandes drogas e, apesar disso (ou por isso mesmo?) é uma das piores da família. Brincadeiras aparte, o crack tem preocupado muito a sociedade e como todo assunto que preocupa a sociedade, se tornou uma “modinha” de repercussões limitadas, resultados duvidosos e informações redundantes.
Todos os jovens de hoje sabem que tem que usar camisinha, não pode dirigir se beber e tem-se que colocar areia nos potinhos pra evitar a dengue. Se a AIDS e a gravidez indesejada, acidentes de carro devido a motoristas alcoolizados e dengue continuam existindo, não é por culpa de uma alienação coletiva. As pessoas estão conscientes do que fazem e – espera-se – das consequências disso. O mesmo acontece com o crack.
As pessoas que usam crack sabem que aquilo destruirá suas vidas. Mas quem são essas pessoas? O crack é muito disseminado entre a população pobre, miserável, marginalizada e não só pelo seu preço, mas também por seu efeito devastador, mas vem se popularizando e se expandindo para outras classes sociais.
O que atrai as pessoas no crack? Há um campo de fora bem poderoso em volta do abismo, a autodestruição, a euforia precedente ao momento em que tudo se perde, a liberdade da dependência do mundo, da fome, do amanhã, é isso o que se busca nas drogas e é isso o que as drogas proporcionam, por pouquíssimo tempo. O crack então, seu efeito começa em dez segundos e termina em, mais ou menos, cinco minutos. Depois o usuário quer mais e precisa de mais pra chegar a sensação anterior, num loop infinito – alias, finito, pois logo a morte ou a reabilitação são encaradas. Paralelamente, na busca de mais crack mulheres se prostituem, a AIDS passa de um pra muitos, crianças e jovens se envolvem no tráfico, pessoas inocentes morrem, violências físicas e morais são praticadas, novos traumas são criados e mais psicólogos, psiquiatras, terapeutas se formam.
Mas se as drogas são procuradas por motivos de insatisfação, não seria muito mais útil uma reavaliação profunda dos nossos valores morais do que uma enxurrada de informações sobre o que faz e o que não faz mal para a nossa saúde?
A pedra Oxi, a nova febre do submundo das drogas – porque é ainda mais barata, é a mesma droga que o crack, o que a torna mais acessível é o fato de não precisar ser manipulada em laboratório. Mais destrutiva? Talvez porque seus efeitos durem ainda menos – o consumo de drogas parece mais um dos desvarios contemporâneos em busca de euforia, não é? Uma pedra pode equivaler a um orgasmo ou um carro zero ou a ideia de uma família feliz, coisas que, de outra forma, essas pessoas jamais experimentariam. Como negar isso a elas sem dar a elas algo em troca? Uma esperança, uma perspectiva de vida, algo além da consciência de sua destruição iminente.

Um comentário:

  1. Olá, Gabriely!
    O crack merece a atenção de todos nós. O consumo aumentou, e não é mais raro encontrar usuários por perto. Essa droga traz malefícios aos dependentes, famílias e sociedade. Diante deste problema que pode atingir qualquer pessoa, independentemente de sexo, cor e classe social, precisamos unir forças na luta contra o crack. Saiba mais: http://bit.ly/gK3w8p.
    Conheça os CAPS que estão espalhados em vários lugares do país para prestar auxílio aos dependentes: http://migre.me/2qkFl.
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