segunda-feira, 12 de setembro de 2011

New Journalism, Lillian Ross e Cinema

Não tenho palavras pra expressar o que as reportagens da Lillian Ross significaram pra mim – levando-se em conta que palavras são tudo o que eu tenho pra usar aqui, não acredito que esse tenha sido um bom começo, mas enfim, Ross é considerada por muitos a mãe do new journalism, o que é ignorado por muitos seguidores de Wolf e companhia.
Narradas com detalhes e envolvimento, o livro mais parece um romance, tudo é cercado de uma aura de genuíno interesse humano – que torna qualquer coisa que Ross aborde interessante, tenho certeza que se ela escrevesse uma reportagem sobre drogas, sobre meias amarelas ou sobre ciências politicas eu leria com o mesmo interesse e esse interesse seria completo, pelo simples fato de que ele viria dela com o mesmo interesse, também completo.
O livro traz reportagens da jornalista com o escritor Ernest Hemingway, mas não é algo quadradinho, ela passa o final de semana com ele e com sua família e o retrata como a grande pessoa que ele era. Também no livro tem uma reportagem sobre o único grande toureiro do Brooklin, Sidney Franklin, o cara por traz da frase: Prefiro ver um bom artista fazer um mau trabalho do que um perfeito mecânico uma obra sem defeito. E também a viagem de uma turma do interior para o Nova York.
Mas a grande reportagem do livro é sobre cinema tem cerca de 205 páginas e conta a produção do filme The Red Badge of Corage dirigido por  John Huston e produzido por Gottfried Reinhardt – que mais tarde se tornou diretor e blá. Muito, mas muito complicado foi evitar o sentimento de frustração desde o principio, por ver a entrega e amor que todos envolvidos no filme tinham por ele, porque tem-se sempre esse problema na tal vantagem histórica, eu já sabia do fracasso de The Red Badge of Courage, no Brasil, A glória de um covarde. Desde o começo a MGM estava contra a gravação do filme, que embora tenha se tornado um sucesso de crítica e uma obra de arte, numa caiu nas graças do público, porque, como diziam os chefões do estúdio, como Mayer, não tinha história nem estrelas.
Quando viu que o filme não tinha agradado, Huston foi pra África onde gravaria The African Queen pra sua própria produtora e deixou a “bomba” para Reinhardt e a MGM.
Ross narra os cortes, deturpações, mudanças que foram feitas no filme de Huston até que ele se tornasse algo completamente diferente, a despeito das tentativas de Reinhardt de defender a arte. O filme, acabou não se tornando nem um sucesso comercial, nem a grande obra de arte que seus autores a consideravam no inicio.  
“Fazia quase dois anos que eu me tinha interessado por “The Red Badge of Courage,” e acompanhei passo por passo seu desenvolvimento, para aprender o que me fosse possível sobre a indústria cinematográfica norte-americana.”- narra Ross. E fez um brilhante trabalho. Algo assim eu gostaria de fazer, sabe? Algo assim, completamente diferente de tudo o que eu aprendi na droga da faculdade – que até agora só serviu pra procrastinar o momento em que eu terei de fazer algo potencialmente útil da minha vida – talvez me tornar caminhoneira ou caixa de supermercado, ao invés de encher ainda mais a internet de lixo em blogs como esse.
Não preciso falar que as pessoas das reportagens de Lillian Ross são dignos de personagens – na realidade, todos deveriam ser, se fossem retratados direito, né?
Então, finalizo aqui com frases de pessoas retratadas por Lilly porque com essas pessoas eu não me importaria de conviver, frases:
HO HO HO! Até agora tive nove vida e lamento cada uma delas. Huston – essa frase merece um post inteiro.
Não quero misturar-me – disse a Sra. Reinhardt “tenho um estranho clima interior.” E afastou-se.
Humor. Sempre que você considere oportuno, procure omiti-lo; sempre que puder, use-o. – Reinhart.

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