Como eu comentei no filme Deixa ela entrar em que a guriazinha de 12 anos é uma vampira do além que à despeito da cara de inocente e da idade mata cruelmente as pessoas e que a vida parecia bem mais fácil quando se acreditava que o diabo era algo horrendo e tal, eu esqueci de comentar que acontece exatamente a mesma coisa em Órfã. É mesmo difícil não gostar de Esther, a gente vai vendo ela se tornar um ser muito do mau e ainda assim, ela continua sendo tão bonitinha e adotada e errada que é mesmo, mesmo difícil não querer que algo bom aconteça pra ela no final.
Não que me pareça uma ideia legal ser assassino – muito menos cruel, enfim. É só que, bem, deve ser uma merda ser criança a vida toda. Eu sei que foi a melhor fase de nossas vidas, mas né, ela só é a melhor fase porque passou, supere isso. Não seria legal nunca poder ir além da segunda base. Não mesmo.
Enfim, como eu só faço comentários inúteis mesmo, preciso dizer que assisti o filme porque um colega meu disse que eu estava perigosamente igual a Órfã numa gravação da eletiva de dicção – por que, oh Deus, rimas espontâneas são tão miseráveis? Vou procurar o arquivo na FAC, só porque gostaria de encontrar a semelhança porque né.
No filme, Esther é adotada pela família de Kate a mãe ex alcóolatra que sofreu um aborto ao 9 meses de gravidez, Johnny o pai inocente, Max a conveniente irmã surda e Daniel o irmão pentelho. Esther se torna um pesadelo pra família, exceto pro pai que acredita nela a medida que considera a mulher cada vez mais histérica.
No mais, eu também me identifiquei mais com a Órfã do que seria saudável. Qualquer pessoa adotada sofre um pouco com isso – embora sejam poucos os casos que acabem em homicídio. Você sabe que não importa o que você faça e o quão legal seja, o laço sanguíneo sempre vai falar mais alto e o filho “de verdade” vai ser mais importante. É a lei das coisas. O mesmo vale pra tudo, mesmo pra um trabalho, um relacionamento, uma amizade... as vezes não importa o que você faça, não é o suficiente só porque você não chegou primeiro, ou como o mundo é mesmo uma grande palhaçada, alguém que chega depois consegue as coisas mais facilmente. Enfim, não vou matar ninguém. Mas só porque eu sou incapaz de qualquer coisa permanente, embora os meus erros todos acabem sendo. Ah, deu pra entender, acho. Talvez eu devesse deletar essa ultima parte porque não quero virar vítima de algo como The Wrong Man ou O processo do Kafka. Mas, de novo, estou me superestimando.
P.S: Eu não gosto muito de filmes de terror, mas esse eu achei mesmo legal, o suspense, as cenas são todas super bem trabalhadas e tal.
P.S.S: Não foi Nietzsche que disse que o homem deve temer a mulher porque o homem é essencialmente mau, mas a mulher é perversa? Pois é.


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