quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Tempos de Paz


Essas palavras me lembraram um pouco as minhas ideologias, as que eu tinha na adolescência e andei tentando matar e perdendo na marginalização que a liberdade e o esquecimento proporcionam, decerto trazer a gente de volta é uma das várias razões que movem os grandes filmes. E Tempos de Paz é um grande filme.
Trata-se de um filme sobre a guerra, por contraditório ou não que isso pareça. Conta sobre a chegada de um imigrante polonês detido na alfandega em 1945 com um nome complicado Krausovich? Personagem interpretado  por Dan Stulbach. Na alfandega ele tem que explicar pro seu Segismundo (Tony Ramos) por que veio ao Brasil e por que quer ficar já que aparentemente ele não serve pra agricultura como disse que trabalhava – tem mãos que nunca pegaram uma enxada – e se tratava na verdade de um ator de teatro. Num diálogo vívido e visceral os dois homens, o artista e o ‘poderoso’ discutem a guerra e como viveram e sobreviveram a ela.
O filme é uma homenagem a Anatol Rosenfeld ensaísta do qual honestamente, eu nunca tinha ouvido falar. Mas enfim, o filme fala ao lado humano, traz à tona o valor da arte pra humanidade que é trazer de volta o humano quando tudo se perde na crueldade disseminada e sem pudor. Como nos diálogo:

Eu sei, voces mataram, violaram suas virgens, voces comeram carne dos mortos, eu sei, todos voces me dizem a mesma coisa, eu digo: E DAÍ? Isso foi lá na Europa, por que isso deveria me dizer respeito?

Porque o senhor também é uma pessoa, é um sujeito.

E tudo leva à conclusão que está no começo desse texto, que eu não sei pra que serve, mas que um dia alguém vai saber pra que serve, se serve. Pra mim basta fazer.

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