sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A invenção da mentira

É um bom filme. Mark é um gordinho loser num mundo onde todo mundo é, absurdamente, sincero. Sim, sincero, a mentira não existe, e a omissão também não, logo no começo, ele sai com Anna, a querida da Jenifer Gardner e ela diz que está frustrada porque ele não serve pra ela e que ela estava se masturbando (!) antes de ele chegar. Enfim, Mark é despedido da Lecture Films, produra de filmes da qual é roteirista.
É quando acontece o Plotspot (a virada, falando, cinematograficamente): Mark precisa de 800 dólares pra pagar o aluguel e não ser despejado. Ele sabe que só tem 300 na conta, mas o sistema do banco está fora. É quando ele tem uma ideia: a mentira – algo que nem tem esse nome porque não existe – até a atendente acreditar e lhe dar o dinheiro. E é assim que a mentira é inventada.
Sim, sim, Mark tem um caráter duvidável, ele criou a mentira, mas é com a mentira que surge a ficção e também com ela surge a história toda de ganhar mansões quando morrer – é a mentira (?) piedosa de Mark pra sua mãe que está morrendo e sente medo da eternidade no nada.
Só que Mark mente pras pessoas se sentirem felizes. Quem nunca mentiu pra ajudar alguém, pra ser legal. Mesmo que, no fim, só criemos ilusões, em nós mesmos e nos outros, as vezes, mesmo por querer acreditar no que se diz. Infelizmente, a verdade é isso que você prova, ou isso que você acredita até alguém provar o contrário. Sei lá.

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