Faz dias que eu decidi parar de falar de filmes que me são indiferentes – só vou comentar os extremos: os que eu amar ou odiar. Porque isso de fazer um post de tudo o que eu vejo tava ficando chato e nem eu tava dando conta, uma vez que eu assisto uns dois ou três filmes por dia.
Gostei menos de Cantando na Chuva do que eu achei que deveria, já que é um musical e tem a música Singin’ on the rain, mas, na verdade, eu não senti nada demais e clichê. Don é um ator bem sucedido no mundo do cinema mudo juntamente com Lina. Só que os dias do cinema mudo estão contados e a voz de Lina é horrível. Aí aparece Kathy, uma aspirante à estrela por quem Don se apaixona e que acaba dublando os filmes de Lina até que consiga tudo o que queria: o cara e a fama. Bonitinho, bem Broadway. Só que pro filme preferido do Mr. Schue do Glee, eu esperava mais. Ou melhor, eu esperava menos, eu esperava menos obviedades e menos números de dança e canto (porque no filme eles parecem intermináveis).
Enfim, eu quis fazer o link com Glee não só pelas referencias à musicais que volta e meia aparecem na série. É que Glee é importante pra mim. Desde uma vez que eu tava fazendo uma busca aleatória sobre algo e li sobre a série no New York Times há muito tempo e espaço atrás, eu comecei a assistir a série. Sim, eu sei que é incongruente reclamar de musicais e gostar de Glee, e, sim, a série é caricaturial as vezes, infantil até. Mas nem sempre a gente escolhe o que ama. E eu lembro de uma amiga minha que assistia a série também no primeiro semestre da faculdade e que eu disse pra ela: que legal, vai ter terceira temporada, ainda vai existir Glee pra eu assistir quando eu tiver acabando a faculdade! E ela riu e disse algo do tipo: nossa, mas tá assistindo Glee no final da faculdade tem que tá muito perdida.
E eu não digo que não esteja. Haha. O fato é que, mesmo tendo abandonado a série durante muito tempo, eu baixei uns episódios de novo e resolvi falar sobre, só porque, bem, porque eu posso fazer isso. Porque me faz feliz e porque em algum lugar do nosso coração o ensino médio nunca acaba – em algum lugar do nosso coração o que foi pra sempre um dia nunca acaba. Aquela amizade, aquela ânsia por um futuro cheio de coisas e pessoas e amores e sensações e álcool e liberdade e libertinagem e coisas. Tudo o que vai morrendo a medida que a gente vai ficando velho e se decepcionando, mas sabe, você pode encontrar coisas lindas se procurar. A vida nunca vai ser um seriado, as pessoas que te magoam não fazem pra te ensinar uma lição e voltarem a ser o que eram na sua vida, mas, no fim, o que sobra é o que a gente é, e o que se é, é uma consequência do que se foi, então, se o que te trás de volta é uma música, escute-a, algumas vezes. O passado não é um peso morto e nostalgia não é pecado. Eu não tenho mais 16 e não sou mais inocente em quase nenhum sentido da palavra. Mas eu também sou o que eu fui, a menina que assistia Glee e que lia o caderno cultural do NYT.
A música acima representa o que a série é pra mim, algo como ter algo pra te levar pra casa. Pro tempo dos corações intactos e das verdades não despedaçadas. E um beijo pras pessoas com gostos duvidosos, seja lá o que isso signifique.

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