sábado, 23 de abril de 2011

Eu não sou um bilhete premiado

Espera! Trovões invadem as janelas, o frio entra pelas frestas -  ele me abraça, o frio. Mas o frio não existe, diz a professora. Então, whatever, a inexistência me abraça. Eu sou toda ausência. Do que fui, do que tive, do que amei. Tudo o que eu tenho hoje é o que eu compartilhei, nada tenho, logo.  A realidade só existe compartilhada.


No teu mistério insondável, na minha vida insana, na nossa insensatez instintiva, nasce e morre o sentimento que é fênix de si mesmo, esse amor que morre e renasce todo dia...

Eu queria saber o que te atrai em mim, eu, essa coisa estranha. As vezes extraordinária, verdade, mas na maioria das vezes extra-ordinária.

Você não ganhou na loteria quando me encontrou. Eu não sou um bilhete premiado, não literalmente. Eu sou apenas um bilhete pra vida inteira porque nele – o meu bilhete – está escrito: sorteio amanhã.

Mas lá vem ela de novo, a fome, pra te lembrar que enquanto você tem necessidade – de um copo d`agua, de um pedaço de pão, de um pouco de amor – você está vivo.

Eu queria saber por que você pensa em mim, ou diz que pensa, enfim. Eu sou só esse monte de ossos que eu não sei o nome rodeado de mais carnes do que deveria. 

Agora cama – essa linda – na qual gastamos metade da vida e esquecemos as tristezas da outra metade como diria o Maistre.

Boa noite pra quem né;*

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