segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Alguém disse que a gente é responsável pelo que cativa. Eu não concordo com isso, seja lá o que isso signifique – muita gente me cativou e nem por isso me levou no peito ou nas costas, muita gente me cativou e nem por isso deixou de me magoar e virar as costas - ou me magoar virando as costas.
Outro alguém ainda disse que o que é realmente nosso nunca se vai pra sempre (Pessoa?). Certo então. Mas não, ta errado. Eu não posso esperar pra sempre, e se não voltar, o Pessoa virá me consolar por ter te deixado ir? Por ter me feito crer que algum dia – se você fosse mesmo meu, me procuraria e tudo seria perfeito como se não tivesse existido lacuna alguma entre a gente. Mas e se você não me procurar nunca mais? Eu vou dormir abraçada com o meu orgulho o resto da vida? Eu vou beijar minhas palavras não ditas e levar meu ego ao cinema. NÃO, NÃO, NÃO. Como diria Dorothy Parker: “Bolas, e para que preciso de orgulho, se não posso suportar a idéia de não falar com ele?
Suponha que fosse uma outra moça. Bastaria que eu passasse a mão no telefone e dissesse, “puxa, o que aconteceu com você?”. Pois é, eu o faria, com a maior naturalidade do mundo. Por que não posso fazer o mesmo? Só por que o amo? E se puder? Pois eu posso (...). Vou ligar pra ele (...) Não me deixe faze isso, meu Deus, o Senhor não vai fazê-lo ligar pra mim? Tem certeza, Meu Deus (...)”. E o mais incrível, isso foi escrito no século XX. Acho que a evolução de lá pra cá não foi tão substancial, némesmo?
A verdade é que nada mudou nesse sentido – há uma guerra entre o orgulho e o amor, o orgulho nosso e o nosso amor pelo outro. No fim, tudo se restringe a isso. Só que no lugar do telefone – agora – eu to sentada diante de uma janela de MSN que não pisca e perguntando, meu Deus, o Senhor não vai fazê-lo falar comigo? Tem certeza, Meu Deus? E eu saberei que se eu não o amasse eu falaria com ele sobre qualquer coisa, eu até diria que o amo com a maior naturalidade do mundo. MAS eu não posso dizer nada só porque o amo. Isso faz com que tudo o que eu pense em dizer pareça uma abordagem brusca, um ato grotesco de afastamento, a criação de um abismo intransponível, um ato desesperado de súplica por amor – mas por que seria um ato de súplica? – AAAH, por que a janela dele não pisca e fica tudo bem de novo? Hein, eu sei porque, é porque eu o amo. Só isso. Maldita lei de Proust:

Os que amam e os que são felizes, não são os mesmos.


A merda com o msn também.

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