sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quem não morre de seu amor, dele não merece viver


Há muito tempo atrás eu vi esse vídeo e quis muito ver o filme Romance do Guel Arraes que é mesmo algo muito, muito querido.
No filme, Pedro, Wagner Moura e Ana, Letícia Sabatella são dois atores de teatro que interpretam Tristão e Isolda – história trágica do século XII que inspirou a criação romântica ocidental, mesmo Shakespeare, Romeu e Julieta.
Eles se apaixonam durante os ensaios e o envolvimento deles é tão bonito e profundo que Ana quase pressente que algo vai acontecer “Eu tenho até medo dessa felicidade toda, parece que a gente tá desafiando o mundo.”
O que acontece?  Não faz diferença o amor nasce de quase tudo e morre de quase nada.
“Nunca mais teremos alegria sem dor... pois então que ela venha, a morte.“ Essa frase de Tristão e Isolda se refere ao fato de eles se amarem e não poderem ficar juntos. Mas pode significar também a intensidade insensata de um envolvimento amoroso – porque você não pode se apegar só até certo ponto, você não pode amar só até onde convém e você não pode fazer nada quanto a outra pessoa não importa o quão importante ela seja, você é obrigado a vê-la dançar à beira de um abismo com os olhos vendados sem poder gritar e ela sem poder te ouvir, porque é assim que funciona a comunicação entre as pessoas, não importa quantos adjetivos você use, está ali explicado, expressado e explícito em mil caracteres e a outra pessoa cruza os olhos sem ler, folheia distraída, flerta com outros olhos, um olhar que lhe diga as mil palavras que você tentou lhe dizer, um olhar que nunca tentou lhe dizer nada, um olhar que logo ela verá também dançando à beira do abismo de olhos vendados, porque o amor é isso, uma lei, a reciprocidade que é mera coincidência. Queria poder dizer, mera consequência, mas né.
Isso tudo é o amor não recíproco, o que no filme, não é o problema, acontece que a ideia de Ana  ”Amor recíproco infeliz não existe, o único sofrimento de amor é não ser correspondido” não tá muito certa, tem a rotina, tem a ideia de compartilhar com outra pessoa – não tudo, mas um pouco de tudo, um segredo, uma tarde, um sábado de sol, uma segunda-feira de tédio, um filme, uma fobia, um fetiche, um amigo... e lá vai. Até a pessoa crescer na sua vida, se tornar intrínseca a ela, parte dos seus dias, você não se imaginar sem ela, ficar em pânico e dar um tempo ou casar. Mesmo ele tendo aquela mania de bater os pés quando tocava tal musica e mesmo não sendo exatamente o melhor sexo da sua vida, você sempre soube desde que leu aquele livro que o melhor sexo da sua vida seria com um idiota, não é mesmo? Nanan. Isso faz eu lembrar uma noite em que eu acordei anos atrás desejando não estar viva porque eu tava com muito, mas muito medo de morrer. Parece sem sentido? Pense à respeito, talvez seja a única coisa que faz sentido. Além dos soldados, claro, mas eles recebem pra isso. Ok, não foi engraçado, nada é, no fim.
O filme é lindo. Indicado pra quem tá apaixonado, pra quem gosta de literatura, pra quem gosta de romance, pra quem não tá apaixonado, mas tá afim de se sentir meio miserável um findi desses, enfim... 

Frases, frases, frases:

A palavra paixão quer dizer sofrimento, a paixão de Cristo, a paixão de Joana D’arc, em grande aflição eles se apaixonaram, ou seja, quem diz que está apaixonado quer dizer que tá sofrendo por amor, mas que é mais incrível, que tá gostando de sofrer...
Essa frase é dita no filme, mas eu estive pensando na palavra esses dias “paixão”, no caso e cheguei as mesmas conclusões, sem outra referencia, então só vou complementar com o resto do meu pensamento depois da paixão, eu pensei ainda em malhação, porque olhe só na malhação de Judas o que se faz com os bonecos – malhar também não é legal.

O casamento é o túmulo do amor. Foi inventado para seres humanos medianos que não são aptos nem para o grande amor nem para a grande amizade, portanto, pra maioria. Nietzsche.

Eu acho que a saída é não desistir de procurar saída, mesmo que ela não exista.

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