quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Réquiem para um Sonho

Um daqueles filmes que quando terminam ecoam no silencio de depois. Me explico: sim, o filme fala de drogas, mas fala de muitas outras coisas, como alienação, solidão, desespero e um conformismo angustiado diante de uma vida fora do controle.
Harry é viciado em drogas – maconha, cocaína, heroína, etc – seu melhor amigo Ty e sua namorada Maryon também. A mãe de Harry, Sara, no entanto, tem um vicio diferente: televisão. Ambos os vícios tomarão proporções devastadoras na vida dos quatro.

Primeira coisa a se notar: como o amor acaba na trivialidade da sobrevivência, não é¿ mesmo que seja apenas a sobrevivência de um vicio, como acontece entre Harry e Marion.
Segunda coisa: ninguém tá aqui pra julgar valores, mas que jogue a primeira pedra quem nunca pensou como Sara: Soon, millions of people will see me and they will all like me. E não diga que não, porque todo mundo quer se sentir querido, porque quem se sente querido, se sente menos só. Claro que é não é a mesma coisa que ter alguém que te ame, muitos artistas reclamam de solidão e são muito queridos. Enfim, tudo o que Sara faz, pra perder aqueles quilos, todas aquelas pílulas, toda a fome, toda a renuncia que ela faz por um momento em que se sentirá amada – ela que é viúva e tem um filho ausente – tudo isso dá pra entender, porque Sara não deixa de ser uma caricatura de um idoso qualquer que conheçamos. E enquanto ela tinha esperança de aparecer na teve, ela tinha “amigas”.
Agora quem reclama dos programas de auditório do Brasil nunca comparou os queridos do Sílvio e do Faustão com os apresentadores de uns programas dos EUA, os do filme são, particularmente, perturbadores.
Mas o prêmio final de Sara – em sonho, claro – é Harry, e ela abraça Harry e fica uma pergunta no ar: será que tudo teria acontecido se não fossem as drogas, mas será que as drogas teriam acontecido se não houvessem também tantos outros motivos, dai voltamos a um loop.
O fato é que o filme não deixou apenas um personagem mutilado, todos eles tiveram parte da vida roubada – todos eles tem na fuga da solidão o seu réquiem-, um dia você desiste do amor, no outro você perde a esperança, no próximo você é capaz de fazer qualquer coisa autodestrutiva e estupida e, provavelmente, fará. Não se trata de uma crítica do filme, eu nem sei fazer essas coisas direito, faço figuração na faculdade – haha, mas acredito que você, quem quer que seja, possível e desejado leitor, se assistir o filme, pare pra pensar um minuto, sem preconceito e sem empolgação demais também, nas drogas, nos remédios pra emagrecer, na televisão e em todas as coisas que todo mundo valoriza tanto hoje em dia.
Muito bom mesmo.
A trilha-sonora é a coisa mais perturbadora possível, perfeita pro filme, na real.
P.S: O protagonista, Jared Leto, aquele lindo, é o vocalista do 30 seconds to mars, se por acaso alguém não reconhecer pela ausência de delineador – o que, convenhamos, nele nem faz tanta falta.

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