terça-feira, 25 de outubro de 2011

Água Viva - Clarice Lispector

É que não sei aonde me levará essa minha liberdade.

Não é arbitrária nem libertina. Mas estou solta.

A frase acima é de Clarice Lispector. Claro que sei que falar dela é “chover no molhado”, assim como Adele está virando moda, as frases da Clarice pipocam em sete de cada dez perfis de redes sociais – na maioria das vezes por pessoas que nunca leram um livro dela, mas né.
Enfim, li esses dias Água viva e achei tão bom quantos todos os que já li dela – A maçã no escuro, A paixão segundo G.H, O mundo redescoberto e milhares de contos em antologias que me desencorajaram a ler os livros de contos dela em si, como Laços de família, até porque os contos que a gente encontra nos livros da escolha como Felicidade Clandestina, não fazem, de longe, jus à literatura de Clarice em um dos livros citados acima, onde ela a leitura é profunda, densa e intensa, como se o coração do leitor pulsasse junto ao coração da escritora que pulsa – com o sentimento do mundo, trazendo Drummond ao texto para uma comparação mais exata.

Outras frases:

Escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.
Eu que mal e mal comecei minha jornada, começo-a com um senso de tragédia, adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida.
Não quero a terrível limitação de quem só vive apenas do que é passível de fazer sentido.
E ninguém é eu. Ninguém é você. Esta é a solidão.
Sou um coração batendo no mundo.
Sou inquieta e áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor. As vezes me arranha como se fossem farpas.
Agora eu sei: sou só. eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão.
Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelo caminho.
Tinha acabado de tomar café e estava simplesmente vivendo ali sentada com um cigarro queimando-se no cinzeiro.
Só não te contaria agora uma história porque no caso seria prostituição. E não escrevo para te agradar. Principalmente a mim mesma.

P.S: Você acreditaria que eu me identifico com ela de maneira impar e inimaginável?

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