segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bruna Surfistinha

É um bom filme. Acredito que apenas o fato de ele existir já é um estandarte da inversão de moral que a gente vive – e aqui não vai nenhum julgamento de valor, apenas uma conclusão. A história de uma garota que sai de uma casa confortável pra ser garota de programa – por ser incompreendida pelos pais e sofrer uma espécie de bullying na escola. Bem, tem pessoas que passam pelas mesmas coisas e, um belo dia, pegam uma metralhadora e matam dezenas de pessoas, embora, a maioria das pessoas que sofrem algo parecido supere sozinho ou nunca supere e faça a fortuna dos psicólogos, psiquiatras, terapeutas, analistas, fabricantes de antidepressivos e autores de livros de auto ajuda e blá.
Raquel Pacheco, a mulher por traz da Bruna surfistinha é só alguém que publicou sua odisseia desnorteada pelo mundo do sexo e das drogas e foi bem sucedida – o que com os ingredientes sexo e drogas era quase certo. Há alguns conflitos bem explorados no filme, a atuação da Deborah Secco é ótima, a das outras garotas de programa também, o que não tira do Cassio Gagus Mendes o título de personagem mais humano do filme – literalmente. A trilha-sonora também é bem legal.
No mais, muita gente fala mal do filme, da história do mesmo, na verdade – mas a gente não perdoa as pessoas que são bem-sucedidas fazendo coisas que não exigem muito delas, não é verdade? As pessoas não são nada compreensíveis com quem age como quer e sem “moral” alguma, assumindo isso e dizendo que não foi por necessidade, mas por escolha.
Enfim, decerto que há mesmo e muitas maneiras mais dignas – ou não? E quem sabe?

P.S: eu ainda acho que vou acabar a faculdade antes de cair na vida. Como caminhoneira, claro, saber que alguém já fez sucesso num blog como garota de programa faz com que a coisa não só não seja original se eu virar uma, como me traz uma nova concepção de fracasso.

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