terça-feira, 1 de novembro de 2011

Happiness e o estranho mundo das perversões sexuais

O filme começa com um final – o do relacionamento de Joy e Andy. Joy é frágil, artista, vegetariana, magrinha e suave. Como um espectro. Ela termina com Andy e ele diz: You’re wrong, cuz I’m champagne and you’re shit. E ela aquiesce, em silencio, a cena do restaurante está em Fade Out. O filme começa – HAPPINESS. Aliás, o título é o único lugar no filme onde você encontrará Felicidade.

Andy se mata uma semana depois. Joy vai visitar a irmã, Trish, que é mulher de Bill e que tem “o pacote completo”: um marido, dois filhos, um lar e uma vida perfeita. Mas isso são só aparências. Bill é terapeuta de Alan, o vizinho de Helen, a outra irmã de Joy e Trish, uma mulher de beleza proporcional à ausência de talento e carisma. Alan sente muita vontade de transar com Helen, um belo dia ele chega a ligar pra ela dizendo: I’m gonna fuck you so bad you gonna come out of your ears (o que, confesse, soa estranhamente, sensual, se dito por qualquer outro cara, ou quase qualquer outro cara, mas é o Alan). Os pais delas também estão se divorciando. Helen, que escreve livros medíocres de pornografia infantil sofre uma pequena crise, Alan quase tem uma chance com ela, graças ao telefonema mencionado acima. Só que, ele é bem mais o tipo de Cristina. Quem é Cristina? Então, aí a gente entra no que o Millor sempre disse: de todas as perversões sexuais, a maior de todas – e mais incompreensível – é quem não tem nenhuma. Cristina odeia sexo. Ela mata o porteiro que a agarra uma noite e o corta em pedaços, guardando no congelador. OU SEJA: de todas as perversões, não é verdade? Ah, Joy troca de emprego, sai do Call center onde trabalhava e vai dar aula pra adultos. Os alunos não gostam dela, ela acaba saindo de uma aula aos prantos e pegando carona com um aluno taxista russo ex-ladrão que transa com ela e rouba seu violão e seu aparelho de som. Depois disso, a mulher dele aparece onde ela trabalha e a esbofeteia, Joy vai na casa do russo e leva flores pra mulher dele (sim, a mesma que bateu nela) sai de lá emprestando dinheiro pro cara. Joy é um personagem muito, muito diferente de qualquer outro no filme – e acho que de qualquer outra pessoa na vida, enfim.

Agora vamos ao assunto crucial do filme: Alan é pedófilo. Ele estupra dois colegas do filho. Num jantar de família como qualquer outro, a polícia toca a campainha.  Apesar de ser um médico e ter uma família “perfeita”, Bill, como ele explica numa cena emocionante pra seu filho de 10 anos, Billy, sim, ele fez sexo com aqueles meninos, por que? Porque ele não pode aguentar, você faria isso de novo? Sim. Eles choram. A cena vai escurecendo até ficar tudo preto. Quem entende as perversões sexuais?  Trish e Bill separam-se.

Mas, nem tudo é doente no mundo, mesmo no mundo do sexo, o filme acaba quando Billy que se acha anormal porque “never came” – não do verbo chegar, mas do gozar, mais uma das deliciosas ambiguidades do english – finally “Come”, ejacula, saudavelmente olhando pra uma loira peituda de biquíni na casa onde todos – Joy, Trish, Hellen e os pais – estão almoçando.  Ótimo filme. P.S: Cristina vai presa. Helen fica de apresentar Alan pra Joy.

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