Primeiro uma cena onde 54 jovens estudantes do secundário simplesmente se jogam na linha do metro. Simples assim, o clube do suicídio se introduz aos nossos olhos e invade os outros sentidos todos – mortes inexplicáveis, todas entre jovens e os policiais Shibu e Kuroda tentam descobrir o que há por trás delas, enquanto mais mortes acontecem. Mas o macabro, o bizarro e o sem noção estão muito próximos no melhor filme oriental que eu já vi. A trilha-sonora é ótima e tem toda uma ligação com os suicídios, a maneira como os outros jovens são influenciados no filme – a onda de suicídios desencadeada pelo primeiro – me faz pensar se as pessoas são mesmo tão pouco convictas do que querem assim, claro, o filme é fictício, a priori, mas houveram momentos na história em que eventos assim, realmente, aconteceram, como quando Goethe lançou Os Sofrimentos do jovem Werther na Alemanhã e houve uma onda de suicídios em toda Europa, o livro chegou a ser proibido e tal.
Hoje, duvido muito que Goethe seja sequer conhecido pela maioria das pessoas por algo além de Fausto, mas suicídios continuam não sendo noticiados. Vai entender. Agora, depois de duas tentativas frustradas eu não pretendo tentar de novo não, isso de ficar conhecida por tentativas de suicídio que não funcionaram não fica bem pra ninguém que não a Dorothy Parker.
Agora que aquelas pessoas do filme se suicidando porque estavam com vontade, por favor, eu não consigo conceber suicídio sem drama ou, pelo menos uma completa ausência do mesmo. E não um
- vamo se mata?
- vamo.
Pula de um prédio e morre. Ah sim. Será que a mídia faz mesmo isso com as pessoas? Ou será que a influencia de qualquer coisa sobre a gente só vai até onde a gente deixa ir? Hein?
No mais, revendo a cena do metro, em que as pessoas estão todas tristes e musica de fundo também é muito muito desoladora – quase faz a gente perguntar por que a gente vive e se debate contra tanta coisa pra morrer no fim, mas não é esse o espirito, algo deve valer a pena, dinheiro, sucesso, amor, qualquer coisa ou mesmo um nada com sobrenome e que te faça feliz, enfim – ali, naquela cena você pensa isso, mas na sequencia ele chega em casa e abraça a mulher e parece que algo faz sentido pra ele. É bonito. Ah sim, o que eu ia falar, é complicado lidar com suicídio. Eu tinha um conhecido que se suicidou Natal passado, na terceira tentativa. Ela já estava num estágio de os pais não deixarem ele sozinho porque tinham medo que ele fizesse algo contra si mesmo e mesmo quando havia possibilidade de ficar sozinho, ele não queria, ele tinha medo do que podia fazer. Muito tenso isso. imagina que inferno não poder ficar sozinho? Só que se a pessoa estiver destinada a morrer afogada, ela se afogará em uma colher de chá, não é? Eu não sei até onde eu acredito na droga do determinismo. O meu conhecido lá de Itaroquem se inforcou num pessegueiro quando a mãe cochilou no sofá.
Grande filme.

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