terça-feira, 29 de novembro de 2011

The straight story

Mais um dos mil e um pra rever antes de morrer, esse, várias vezes. Todas as vezes que eu sentir que nada mais me emociona e que o nível de cretinização – tanto o meu quanto o das pessoas – está elevado demais, esse vai ser um daqueles filmes que eu vou ver e que vão me “trazer de volta pra casa”, porque The Straight Story é a coisa mais comovente que eu vi em meses, e é baseada na história real de Alvin Straight, um velhinho de 73 anos, com a saúde debilitada, problema nos quadris, problema de visão, problema de velhice enfim.
Alvin mora com a filha Rose, que é meio “lenta” e tem uma vida tranquila, apesar dos problemas de saúde, até receber um telefonema de que seu irmão Lyle sofreu um derrame. Alvin e Lyle eram brigados há muitos anos e Alvin decide ir ver o irmão e se reconciliar com ele antes que seja tarde. Só que o irmão mora em Wisconsin e Alvin mora em Iowa, cerca de 510Km de distancia, sem falar nas montanhas e Alvin não tem carteira de motorista e não confia em motorista de ônibus – isso de não confiar em motorista de ônibus é algo sério pras pessoas velhas, falo pelo meu avo – enfim, ele resolve dirigir o seu cortador de grama até o seu irmão.
Ao longo da viagem ele encontra outras pessoas e conta sobre sua vida, dos catorze filhos que sua falecida esposa pariu e dos quais apenas sete sobreviveram, da experiência na guerra em que ele matou um amigo por engano, da infância no frio do Mississipi na fazenda com o irmão Lyle. Sem contar as planícies desoladoras dos EUA tão poeticamente retratadas no filme, Alvin e seu cortador de grama parecem tão indefesos e, ao mesmo tempo, tão bondosos com o mundo e as viagens solitárias já foram abordadas por várias histórias ao longo dos tempos, Na natureza selvagem, On the road... mas Alvin não está fugindo, ele está em busca, em busca não tempo perdido como Proust, o que Alvin Straight busca é só olhar as estrelas com o irmão e conversar – e como é bom ter alguém pra conversar e ser, simplesmente ser sob  as estrelas, seja lá o que isso signifique, talvez que a família é o que mais pode nos aproximar de nós mesmos no fim.

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