sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Christiane F, as drogas e a trivialidade da vida no tédio nosso de cada – e todo - dia

Oks, eu tinha dito pra mim mesma que não falaria mais de filmes – nem de nada, na real, porque já enjoei do blog, de novo e blá – mas vou ter que comentar um pouco sobre o filme da Christiane F. porque, no fim, se a gente não comenta sobre o que interessa: drogas e sexo, sobre o que se vai comentar? (pergunta retórica)
Christine é uma menina de 13 anos morrendo de tédio como todos nós fizemos em N momentos da vida, só que, ao contrário de nós, ela não esquece disso, o tédio, com um livro do Harry Potter – o que, convenhamos, não renderia um filme. enfim, tudo começa quando ela diz pra mãe que vai dormir na casa de uma amiga e sai pra uma danceteria, lá ela conhece um cara e, depois de algum tempo ela experimenta drogas, primeiro cocaína e, finalmente, na segunda metade do filme, heroína, que acaba sendo o inicio da espiral autodestrutiva que se torna a vida dela.
Claro que os primeiros programas de Chris foram “acidentais”, ela precisava de dinheiro e estava andando por uma rua qualquer quando uma oportunidade de dinheiro fácil parou o carro em sua frente. As piores decisões da vida são feitas nessa mistura fatídica de desespero e oportunidade. Também, o namoradinho dela é gigolô – e, no fundo, ele gosta da coisa, como ela acaba descobrindo.
Um dos momentos mais uau do filme é quando, depois que a filha desmaia de overdose no banheiro, a mãe dela chama o namorado dela e tranca os dois no quarto pra se reabilitarem. Não funciona, nunca funciona assim, enfim, eles ficam lá, soando, se batendo, vomitando, uma coisa muito, muito tensa. Nesse meio tempo, Chris já tá uma carcaça, parecendo um zumbi.
Outro momento do filme que é de fazer pensar é quando Christiane encontra a amiga dela de 14 anos, a Babe, que é ainda mais viciada que ela, elas estão sentadas no chão do metro e Babe diz: quando eu conseguir (sair dessa) depois do pior, o que eu vou fazer?  Sério mesmo, que problemas uma menina de 14 anos pode ter? mas, ok, estou sendo preconceituosa e subestimando os problemas alheios, mas tenho grande desconfiança de que, aquela menina, começou a usar drogas só pra experimentar e fugir do tédio também, só que depois, no lugar do tédio é algo bem pior, não é? O que teria sobrado da vida dela? Seria a tal “toda vida pela sempre”, não? Mas é muito mais complicado quando você tá muito mau, conceber estar bem, porque, uma vez bem, você tem que fazer algo, qualquer coisa... e não estando bem, é só ser, num estado de estagnação alienada, só se preocupando em sobreviver.
Christiane F é bem original. Não que o tema abordado não seja comum, vide Trainspotting, Requiem para um sonho e outros, só que nesses, não é só por tédio que os personagens se envolvem com drogas, é também pra fugir de uma vida clichê, um destino comum, ordinário e irrelevante, eles sempre lembram que se pararem vão ter que voltar pros problemas cotidianos, pro tédio inenarrável, pra vida que é igual a qualquer outra vida e que, as vezes, parece que não significa nada. sei lá.  Não tenho certeza sobre a minha própria opinião quanto as drogas, até porque seria hipocrisia minha tanto ser veementemente contra, como fazer uma apologia ao uso. Só acredito que da tríade sexo, drogas e  rock n roll pode ser bem mais aproveitada se você usar as drogas certas e controladamente, quanto ao resto, em excesso é melhor, sempre e muito. Haha. E essa ideia toda de sexo, drogas e rock n roll parece uma ótima naquela cena sob o som de We can be heroes...

Ah, sim, é interessante saber que o filme trata de uma história real.
P.S: Não é realmente incrível que nos anos 70 as pessoas se divertiam muito mais e nem existia internet? Ou talvez seja justamente por isso.

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