Grande filme. Não tinha gostado dele no primeiro semestre da faculdade quando a gente viu numa aula de história da comunicação – mas convenhamos, tudo o que parece ter finalidade acadêmica já é encarado com reservas pelo publico não nerd – então, como eu tinha chegado atrasada na aula e já não tava entendendo nada, então né, esqueci Kane por bons três semestres o que nos traz depois dessas sessenta e algumas palavras inúteis à conclusão da primeira frase: grande filme.
Assim como o meu malfadado paragrafo acima, o filme começa como termina e conta a partir das buscas de um repórter, o Sr. Thompson sobre a morte de Charles Foster Kane. Enquanto ele procura pelas pessoas que conviveram com Kane para descobrir quem é a misteriosa pessoa por trás do último nome pronunciado por ele – Rosebud – a história da vida desse grande homem da imprensa, vai sendo recontada em flashbacks. As vezes sabe-se o desfecho e não sabe como se chega a ele – antigamente, eu achava que não tinha graça ver algo se você soubesse o final, depois eu parei pra pensar a respeito e tudo acaba da mesma forma e é só a morte, no fim, mas aí a coisa se tornou filosófica demais, o que eu quero dizer é que o filme não se prejudica em nada pela sua narrativa circular, pelo contrário, junto com a força da história, o questionamento de temas comuns como o poder, a manipulação e todos os outros motivos que levaram a minha professora a fazer a gente assistir ao filme na aula – esquecendo de mencionar, é claro, que nunca teríamos a metade da liberdade de expressão que Kane tinha, por ser dono do jornal, mas sim, a gente pode ter opinião e morrer de fome. Voltando ao filme, ele também aborda assuntos mais universais como a solidão e uma infinita incapacidade de amar inversamente proporcional ao desespero por ser amado. Acontece muito, Kafka era assim, de acordo com alguns livros.
Kane teve dois casamentos infelizes, com Emily e Suzan, sendo que com essa ultima arruinou sua carreira politica – ele ainda era casado quando se envolveu com ela. Depois disso ele foi se tornando apenas a sombra do grande homem que fora, brigou com seu único amigo Leland e morreu sozinho em seu castelo ”Xanadu”.
O menino bonitinho que dava pena por ser separado da mãe e ficar sob a guarda do banco e que se tornou arrogante, prepotente e mesmo meio imbecil – embora fosse brilhante, talvez ele só fosse um pobre menino rico. De qualquer forma, eu não achei Charlie um vilão, ele foi sua principal vítima.
P.S: As Organizações Globo não tiveram uma ideia original com a tal da Carta de Princípios, né? Tá tudo no filme, Cidadão Kane e agora, uns setenta e alguns anos depois, a Carta de Princípios de Charles Kane volta na Globo, interessante, né? como nada realmente se cria e tudo é mesmo um loop.
Frases:
Sabe, Mr. Bernstein, se eu não fosse tão rico, eu poderia ter sido um grande homem.

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