sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desmistifique. E Feliz Ano Novo - antecipado :)

As pessoas implicam que a Adele é gorda, que a Amy Winehouse era magra demais, que a Lana Del Rey tem lábios estranhos (!), que a Lea Michelle tem um nariz feio, que a Rihanna é vulgar (!) que a Beyonce não é bonita, só gostosa - Sim, em que mundo isso seria um problema? Existe um mundo e, infelizmente, é o mundo em que a gente vive: no das pessoas que não se enxergam.
Meu ponto é: por que quando você não é famoso e milionário comentários como esse te afetam tanto? E por que, se você não é nem rico nem famoso, as pessoas se dão ao trabalho de faze-los(?). E a resposta é a mesma da primeira pergunta: porque as pessoas não se enxergam. E sabe quais os defeitos mais deliciosos de apontar nos outros? Os que a gente tem.
Então, nesse Ano Novo, ao invés de desejar paz ou recomendar momentos de reflexão – afinal, a única coisa que muda, sejamos honestos, é o calendário, as tias que ficam te comparando com teus primos perfeitos e bem-sucedidos, as vós que te chamam de gorda, enquanto te entopem de comida são sempre as mesmas (ou isso é só a minha família, checar isso). Perdi o fio da meada, enfim, só DESMISTIFIQUE. Sabe aquela pessoa que você quis tanto impressionar? Ela é só uma pessoa. Sabe tudo o que você fez pra provar que era legal esse tempo todo? Foi tempo perdido: as pessoas que gostam de você, gostam pelo que você é e não pelos livros que leu, viagens que fez ou musicas que gosta de ouvir e se, por acaso, elas fazem isso (gostar de você) por esses motivos, elas não gostam, realmente de você.
Eu tentei ser nerd por um tempo, fui emo (fui mesmo e continuo achando os emos donos de um stilo lindo e bem melhor do que muito estilo que se vê por aí), fui gótica (de acordo com um amigo meu, algo que eu não concordo muito, eu simplesmente, gosto de usar preto, enfim), tentei ser cult (no que me frustrei pelo simples fato de que pessoas cult são um pé no saco, de um fanatismo que beira a religião e se você não leu tal livro e não curtiu tal disco, você não serve pra eles), tentei ser uma heartlessbitch e também não funcionou (não por falta de oportunidade, mas por falta de desapego e valores morais que, embora eu discorde, estão intrínsecos a mim). E aqui estou eu, desmistificada diante de qualquer pessoa que esteja lendo isso.
Uma vez eu li – acho que n’As mil e uma noites que, pra não se deixar intimidar por uma pessoa, bastava imaginá-la com um turbante laranja berrante na cabeça, aí ela parece ridícula e você perde o medo. Se a pessoa soubesse que você estava imaginando-a com o tal turbante, provavelmente, ela teria medo de você, porque, estranhamente, o que as pessoas mais temem é o ridículo, sem saber que isso, mais do que qualquer coisa, as limita. Uma vez com medo do ridículo, a pessoa vai revidar. Claro que A GENTE RI DAS PIADAS QUE ENTENDE, MAS FAZ PIADA DO QUE NÃO CONSEGUE ENTENDER. E quem consegue entender o imperfeito da vida alheia – por mais e, mesmo, ainda mais, por ser semelhante à imperfeição da sua, hein hein?
Desmistifique. O que a vida te dá é o que você merece, se não tá feliz, procure outra coisa, embora a eterna busca por outra coisa, normalmente, resulte no encontro de outras coisas (essa é a única parte de todo esse blá em que eu não posso evitar um momento de reflexão, desculpe, clichês são clichês por alguma razão).
Se você não gosta da vizinhança, mude-se. Se você não gosta do seu emprego, tente voltar pra faculdade e vai ver que é, possivelmente, ainda pior. Se uma pessoa te faz feliz, não arrisque perde-la por uma noite com uma pessoa que não significa nada pra você. 
Quase três anos de faculdade, onze de colégio e um de pré-escola, eu devia ter um milhão de amigos, seria um lindo raciocínio se a gente não perdesse tanta gente no caminho, enquanto encontra outras pessoas. Mas sabe que aquilo que dizem de que não existe isso de pessoas certas? É mentira, as pessoas certas são as que estão do teu lado.
Então, esqueça os erros, os arrependimentos, as nostalgias (Proust, eu te amo, mas engula o seu paraíso perdido), os amigos falsos, os enganos. O tempo que passou, você não vai ter de volta, mas você tem todo o tempo do mundo porque, o mundo não vai acabar, encare isso (eu também, dezenas de vezes quis que acabasse, desde os boatos da virada do milênio em 2000!), o mundo vai continuar girando, pessoas chegando e indo embora, amigos velhos perdendo contato na alienação dos dias porque todo mundo tá absorto demais no seu próprio cotidiano, amigos novos surgindo do meio desse mesmo cotidiano bagunçado, histórias, amores, coisas são esquecidas. Mas sabe o que importa? O que interessa! (brincadeira, oks) o que importa é quem você é, no fim, apesar e a despeito de tudo. Porque você é um resultado das coisas que perdeu, mas também das coisas que permaneceram e das coisas que você ainda vai ter. 
Apenas, desmistifique, não existem no mundo Apolos, Narcisos, Zeus ou Afrodites. Só pessoas. Seres humanos. Carne, osso, medo, coragem, perenidade, amor, ódio e esperança. Só o que mudam são as projeções que você cria acerca deles. 
E um beijo pra minha família. Porque essas pessoas que brigam tanto comigo por mim mesma devem mesmo ter uma projeção bem grande pra mim.

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