Nosso lar, suicídio e blás espirituais

Acabei de assistir o filme baseado na obra do Chico Xavier e me dei todo o tempo dos créditos como momento de reflexão porque se trata de um dos – poucos – assuntos com os quais eu não me sinto muito confortável = fé, religião, espiritualidade e morte e blá. No filme André Luis é um médico que morre e começa a narrar a sua vida no além, ou melhor, no Nosso Lar. Dai toda a transformação espiritual que ele sofre até se tornar uma alma boa – não que ele não fosse um cara legal, só era meio fechado e cheio de rancores (sim, eu pensei a mesma coisa, a gente vai se encontra tudo no limbo galera, enfim...).Além de dizer que o filme é bem interessante, eu me sinto obrigada a confessar que mais duas horas de filme e eu me converteria. Não que eu seja cética cínica – não o tempo inteiro – é que o que eu vou fazer a partir daqui é um emaranhado de citações das quais eu não lembro o autor de todas e o resultado será um miasma muito semelhante ao que eu convivo todos os dias. Se por um lado a ideia de reencarnar pode ser reconfortante por essa coisa toda de poder ser outra coisa completamente diferente em outra vida e, principalmente, evoluir – embora essa parte da evolução seja a mais falha da teoria toda, acho que as pessoas devem ser bem piores hoje do que jamais foram – por outro lado a ideia de ficar num loop indefinido em busca da perfeição - e convivendo sempre com as mesmas almas em corpos diferentes não me atrai nem um pouco. Outra coisa que eu me revolto é quando ao escândalo que as pessoas fazem contra os suicidas, ninguém pediu pra nascer, não é verdade? Suicídio é só uma maneira de sair à francesa dessa grande tragédia grega em que nos meteram. Não é muito diferente de uma masturbação, não envolve mais ninguém, ninguém tem nada que ver ou julgar – só que uma busca prazer enquanto a outra o alívio da dor, duas das buscas mais instintivas da vida – que temos aqui e agora, isso se os seres do além não tem acesso à internet e estão lendo esse post (medo? Brincadeira, não tenho, tenho dos vivos só, até hoje só eles me magoaram e fizeram mal). Enfim, voltando ao suicídio, eu li, acho que n’O arquipélago do Érico Veríssimo que isso – o suicídio - nada mais é do que uma fuga pra eternidade. De alguma maneira isso fez com que eu desistisse de ter uma overdose de remédios aos 13 anos. Bem, na verdade, um pouco foi porque não tinha dado certo aos 12, mas enfim. Voltando ao Nosso Lar, tem também outras teorias com reencarnação que envolvem signos também e essas me deixam ainda mais confusa porque de acordo com elas, o meu signo deveria representar a ultima vinda na Terra ou mais um ciclo de 12 encarnações, então pense numa pessoa tensa, eu não acho que eu esteja nesse estado de evolução espiritual – acredito mesmo que esteja sofrendo de uma doença gravíssima pra uma menina solteira, ninfomania, nanana – mas também não acho que eu tenha estrutura emocional pro mundo daqui sei lã quantos séculos e depois de tantas outras vidas... enfim, isso se o mundo não acabar em 2012, levando-se em conta que esse texto já caiu no absurdo há oito parágrafos atrás (sim, eu sei que esse texto não tem nem sete parágrafos). Também não acho que eu esteja preparada pra uma vida num marasmo branco como em Nosso Lar. Isso tudo pode ser resumido em uma conclusão simples assim: eu sou uma pessoa inapta pra viver e quando se trata de morte a minha inaptidão é pior ainda. O que resta pra mim é reclamar e reclamar indefinidamente já que eu fui o espermatozoide perdedor e caí na armadilha da vida. P.S: desculpa, mas eu preciso comentar essas frases:
Os engenheiros vão reencarnar para utilizar tecnologias semelhantes á essa no Planeta. Eu me pergunto se alguma vez algum jornalista reencarnou jornalista porque né.
Quando o coração fala, Deus fala por nós – se isso é verdade Deus caiu muito, mas muito no meu conceito porque o meu coração não é amigo de ninguém – ou talvez seja de todo mundo, menos de mim, é, na real, essa ultima definição fim bem a cara de Deus mesmo. Coisa triste.
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