Li o livro do Michael Ende há muito tempo atrás, na real, A história sem fim foi o primeiro e-book que eu lembro ter lido na vida. Enfim, do livro inteiro sobrou pra mim aquela frase, já tão repetida e meio impensada pra um livro infanto-juvenil graças à sua profundidade existencial (pra mim, pelo menos, ela existe):
Você fez um longo desvio, mas era o seu caminho.
Sacou? Não importa todas as vezes que deu errado, as vezes que você pensou azul e disse amarelo, as vezes que você perdeu, esqueceu, magoou, pensou não e disse sim, quis que sim e não aconteceu. Aos enganos que fizeram uma sequencia de coincidências erradas parecerem destino. Em algum momento, tudo encaixa – e você encontra, seja o que for que você está procurando.
Ok, depois de todo esse devaneio, o filme baseado no livro muda um monte de coisas, mas a essência é a mesma: o menino que se sente sozinho e que se refugia no mundo da fantasia, a novidade na história não é o que acontece, é como: Bastian está fugindo de uns meninos maus da escola e acaba entrando numa livraria, a livraria onde o livro da história sem fim espera por ele, como a maioria das pessoas com alguma veia artística fantasiosa, Bastian odeia matemática e pra fugir de um teste, se esconde no sótão da escola pra ler o livro. Só que se trata – é claro – de um livro diferente, um livro do qual o leitor faz parte, mais ainda, um livro no qual, ele, o único leitor poderá salvar o reino de fantasia. Como? Acreditando e tendo esperança, só assim Bastian junto com Atreiú, personagem do livro, enfrentar as esfinges e os desvios até se salvar do nada.
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