Estava eu pensando em voltar à epopeia dos autores do Nobel – dos quais eu já devo ter lido uns 15 se tanto – quando cheguei na biblioteca, de onde acabei com o livro do Falkner errado. Ok, antes que pensem que eu sou mais retardada do que eu já muito aparento, preciso dizer que a culpa foi do randômico, claro, eu fui no Mundo da leitura justo no dia da gravação do programa da UPFTV e a menina da biblioteca foi tão solicita em procura rapidinho o livro pra mim – que eu não lembrava o nome e como eu tinha dito só o sobrenome não podia culpa-la pelo engano e ia ser meio que paunocuzagem sair de lá sem ele. Com que então esses fatores me levaram ao livro de J. Meade Falkner no lugar de William Falkner.
Mas nunca troque um inglês por um americano por mais famoso que ele seja – e aqui é uma frase super parcial e cheia de preconceitos, fuck it. Enfim, pretendo ler o outro Falkner para dar uma opinião mais “imparcial” (aplausos acadêmicos pela ironia). O que eu queria dizer é que ontem eu acabei o livro do Falkner errado às quatro e trinta e cinco da manha, com os olhos mareados de lágrimas (menos de sono do que eu gostaria que fossem, mas né, uma vez emo...) O livro que conta a história do tesouro e da maldição do tesouro do Barba Negra e, como a maioria dos livros de aventura – e decerto por isso eles são tão desvalorizados pela crítica e tão aclamados pelo público – prende a pessoa na sucessão de fatos que levam o mocinho John Trenchard, no começo da história um menino e no final, um homem e seu grande amigo Elzevir aos lugares mais estranhos, belos, assustadores, você os encontra subindo a encosta mais íngreme fugindo da polícia quando quase são pegos pelo contrabando de bebidas, você os ve saindo de um castelo numa terra distante com um diamante na mão e uma morte nas costas – da qual não tinham culpa, mas quem acredita nos forasteiros? E você finalmente, os vê arruinados pelo diamante amaldiçoado do Barba Negra. Mas a história não se trata apenas de aventura, não é apenas o trabalho da mente a ler descrições intermináveis, primeiro de cenários que se sucedem na transitoriedade da vida nômade de nossos amigos e depois na sucessão de dificuldades, lutas, planos que eles se emprenham por e do qual apenas um sairá vivo (de onde os olhos marearam de lágrimas, como quase sempre acontece nas histórias de mar, vulgo Os trabalhadores do mar de Victor do Hugo no qual eu, real e literalmente, chorei litros) o livro também é rico nas emoções que descreve, na juventude que trás de volta.
E uma história dessas só podia se passar mesmo na Inglaterra, onde mais existem cenários tão lindamente tristes e pessoas tão ricas cultural e historicamente? Como o costume de usar na cera da vela um alfinete de ônix à altura de três centímetros – que quando esse caísse estava acabado o tempo do leilão do terreno, hábito que já morreu há tanto tempo assim como os que eu lia em Dickens como o hábito de dar um beijo em alguém embaixo da folha de azevinho na noite de Natal e milhares de outras coisas que a memória já levou de mim – provavelmente por ser muito usada com coisas irrelevantes, mas vive-se assim, mesmo.
Enfim, creiam que não vale a pena trocar um inglês por um (ou cinco americanos, a não ser talvez, mas agora eu não consigo pensar em nenhum, como generalidades não são legais e transmitem uma opinião genérica e opinião nem sequer conhecimento é, devo dizer que existem ingleses medíocres, assim como americanos brilhantes, mas é a exceção, não a regra).
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