Fazia muito tempo que eu tinha muita vontade de assistir esse filme e não tinha tempo, ok, mentira, não tinha força de vontade pra ir na locadora, enfim, A outra é um típico filme histórico baseado em fatos reais da Inglaterra de Henrique VIII, pai de Elizabeth I.
Sempre que eu assisto filmes assim eu penso em me aprofundar em história, mas é sempre um interesse efêmero e que acaba quando eu lembro que não se trata apenas de dramaturgia, pessoas morreram e viveram sob valores que são diferentes dos atuais, mas que são regidos pela mesma premissa: quem tem poder, não governa sob os mesmos princípios de quem não tem. Se naquela época o que determinava o poder era um nome, hoje é uma conta bancária.
Quanto ao filme, tudo pode-se resumir naquele ditado medíocre: quando os elefantes brigam, quem sofre é a grama. Foi o povo que se matou na guerra só pra que o rei pudesse trocar de esposa, por causa de uma decisão pessoal e o destino dos ingleses foi mudado pra sempre. No entanto, ão se trata de culpar alguém, mas apenas de notar como as pessoas foram evoluindo, apesar de tudo – você pode conseguir dinheiro de N maneiras, mas nome, você só tinha uma: nascer com ele – e quantas mortes foram necessárias, mortes, feridas, rancores, mágoas, dores que foram sofridas ao longo de tanto tempo pra que hoje a gente pudesse transar sem precisar casar, ou casar e se separar no outro dia, ter toda a liberdade do mundo pra não casar nunca, o problema é que apenas a liberdade pessoal que foi alcançada. A liberdade do poder continua nas mãos de poucos.
Enfim, no começo eu achei a Maria Bolena (Scarlett Johansson) uma criatura meio sem graça, mas torci por ela, afinal, ela sempre fora subestimada e tinha acabado por roubar a atenção do rei pra ela sem querer. Depois, quando sua irmã mais velha foi exilada por ter casado com um cara que era prometido de outra, eu quis muito que a Ana (Natalie Portman) voltasse e se vingasse. E foi o que aconteceu. Não é nem preciso ser muito bom em história pra saber que isso aconteceria, é só ter assistido mais de trezentos filmes hollywoodianos. A única coisa que foge do padrão hollywoodiano é o bom coração da Maria, perdoando a traição da irmã e, numa das viradas irônicas do destino, tornando-a rainha, ela, Maria, a mãe do filho bastardo do rei.
Tanto drama e tragédia só poderiam vir da terra do Shakespeare mesmo. Mas mesmo a Ana é impossível odiar porque ela tem um final digno de Édipo, assim como seu irmão, o pobre Sebastian, tudo sob o legado de dor, sangue e destruição que caiu sobre a família Bolena.
Agora uma coisa: em que lugar do mundo hoje, alguém ainda acredita que não transar significar ter poder sobre um homem? Hein hein, resposta certa, na minha casa. VDMRULES.
Frase:
Allowing the men to believe they indeed are in charge, That is the art of being a woman.
Permitir que o homem acredite que está no comando, essa é a arte de ser uma mulher.
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