O filme conta a história de um cara de cidade pequena, o Yusuf que vai pra uma cidade grande procurar emprego como marinheiro porque a única fábrica de sua cidade – onde ele e o pai trabalhavam – fechou. Mahmut, o parente, é um fotógrafo solitário que vai assistir a ex-mulher – por quem ainda tem sentimentos – ir pro Canadá com o novo marido.
Acredito que o assunto principal do filme seja a distancia entre as pessoas, a solidão que as rodeia, porque mesmo que você diga o que sente, o que pensa, se você usa tais palavras ao invés de outras, qualquer coisa e – pronto – lá está o mau entendido e daí advém toda a solidão humana – da ausência da capacidade de se comunicar sem palavras – dessa incapacidade de expressão como eu li num livro sobre quadrinhos uma vez, também vem toda a arte, da vontade de comunicar, de compartilhar. E é o que Yusuf tenta, mas não consegue com Mahmut. Também talvez porque Yusuf precise dele, Mahmut nunca confia nele, plenamente, nem o trata sempre como amigo ou talvez ele fosse assim com todo mundo – duro e seco por causa de experiências passadas, quem sabe? Talvez como o Vasco do Veríssimo ele tenha criado unhas afiadas por ter tido que se defender desde cedo. Ele conta para Yusuf – que não consegue nenhum emprego (depois a galers não sabe se a vida imita a arte ou o que) – que começou a vida do nada e que ele não tivera orgulho e rejeitou trabalho. Enfim, um dia ele chega em casa e não encontra mais Yusuf lá. Quem sabe...

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