Mas eu olho pra trás e te juro que não me arrependo de nenhum dia, nenhum momento. Erraria tudo de novo.
Faria um filme baseado nas minhas experiências, fumaria um baseado de novo, por experiência.
Ah, sim, eu fumei aquele baseado porque nunca tive uma epifania.
Voltei pra casa inteira. A marca do cigarro apagado na minha camiseta – bem em cima da palavra JORNALISMO. Pra provar pros caras que me olhavam na rua que aquilo também não significava nada.
Eu sou sim, aquela garota que saiu no meio da festa porque – de repente – a festa não era mais nada, era só uma multidão impessoal de corpos suando juntos uma melodia não melódica. E sem melodramas, com os sapatos nas mãos e os pés descalços no chão, foi embora.
Eu sou aquela garota que parou quando uns caras chamaram, fumou seus cigarros, aceitou sua carona pra casa. E ainda ta aqui pra conta que ele ainda ligou no dia seguinte. Perguntou se ela não tinha se suicidado. Ainda a mesma garota demorou mais de três dias pra responder – só pra ele ler os anúncios funerários.
Eu sou aquela garota que se mudou mais de duzentos quilômetros pra ter uma liberdade – ainda que questionável - longe do que julgava ser.
Eu sou aquela garota que nega tanto quanto acredita. Que rasgou as meias e quebrou a cara, mas ainda assim sorriu. Não porque a vida parecesse bela – não parecia naquele momento. Sorriu porque pensou merecer um sorriso. E por esse pensamento em si, mereceu-o, ganhou-o da vida.
Eu sou aquela garota que beijou o sapo e assistiu triste ele continuar sendo-o, depois embarcou na carruagem, que se tornou abóbora – e sou ainda aquela que nunca ouviu falar em abóbora sem pensar em abóbada e sem assim, pensar em abobada.
Eu sou aquela que furta, furtivamente, um sonho seu quando você dorme.
Aquela que, com mãos cálidas, calada, acalenta teu silêncio.
A garota que abraça seu abraço e abarca seu mundo.
Que prova do ópio opaco do passado, mas que passa a passos largos ao futuro.
Eu sou ela. Uma garota que um dia trocou as brincadeiras por brincos e se arrependeu – não porque quisesse de novo brincar, mas porque era tarde.
Eu sou a garota que doida, doída, doidivanas, doidinha.
Eu sou o amor pela vida com nome e sobrenome e um pseudônimo pra disfarçar.
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