Eu te despi de tuas roupas, mas não de teus medos. Eu procurei alguma epistemologia, mas só confundi nossas epidermes. Apenas fomentei tua fome sem saciá-la. Agi por instinto e matei o instante. Tatuei na tua metafísica o desvario devasso do meu desassossego desviado. Talvez eu tenha sido um erro. Ou talvez eu tenha sido o melhor acerto – eu também costurei constelações pra te fazer dormir, dilui distancias e difundi diferentes dígrafos dissimulados pra te ver sonhar. E pra ser teu sonho.
E hoje nem me olhas, não mais esquece teus olhos nos meus – nem reparas que parafraseei Buarque. Eu também sondei insidiosa e insanamente as tuas inconstâncias pra no fim, concluir que não eram piores que as minhas. Eram apenas mais latentes.
Eu tateei a insuspeitada e insólita solidão dos nossos corpos inéditos um ao outro e encontrei o inusitado esquecimento do mundo lá fora.
A verdade é que eu não devia ouvir Caymmi -Tanto amei teu amor, que confesso, desorientei... perdi noção. E a verdade é que eu devia parar de procrastinar o esquecimento de quem já me esqueceu.
Tudo porque eu me despi de meus pudores, mas não de meus medos.
Uaaau, forte! Um sentimento extremado, agudo, atingindo o flanco daquele que é incapaz de perceber metáforas ou parafrases. Feliz de quem tem a honra de ser o destinatário desse texto.
ResponderExcluirAlias, sou eu o incauto que pensa que há um destinatário, ou sou eu o sagaz que o percebe?
Naaa... não há destinatários. nao mesmo :X
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