Eu queria poder dizer que é um grande musical e que fez todo sentido pra mim. Talvez realmente fizesse há algum tempo atrás. É que eu não vejo mais graça em um monte de gente se transvestindo e dando hinos a luxuria. Começo a acreditar que musicais não são mesmo bons e que – exceto Once e mais uns bem antigos o gênero é medíocre e mal explorado – eu me pergunto como algo que tem a musica como principal matéria prima pode dar errado, uma vez que eu não vivo sem musica e grande maioria das pessoas que eu conheço também amam musica - em diferentes níveis, mas ninguém ODEIA musica, no entanto, maioria das pessoas com que eu já falei à respeito odeiam musicais. Não faz sentido. Mas ai você olha um musical e só ve uma sequencia exorbitante de lixo e repara que faz todo sentido. Ou talvez eu que seja ignorante artisticamente – e nisso não vai nenhuma ironia, é bem sério – e não compreenda o gênero.
Tento repensar o assunto: eu amo musica, gosto de sexo e idolatro drama, faço da minha vida um sempre que posso, ou seja, o tempo inteiro – ainda assim, juntando tudo, não consigo achar um musical algo realmente bom. Acho que o que chegou mais perto dos poucos que eu vi foi Cabaret – que me pareceu também o mais honesto.
Enfim, em The Rocky Horror Picture Show, Janet e Brad são um casal de noivos, todo certinho que acaba na estrada numa noite de tempestade, do carro com o pneu furado pra furada de um castelo de um travesti maluco e pervertido chamado Frank são apenas alguns metros. Depois dali é uma sequencia de musicas ruins, danças estranhas, figurinos do além, tudo bem permissivo, o traveco fica com Janet e Brad e Rocky, o fortão que ele criou em laboratório – que também dá uma rapidinha com Janet. Ah, sim, tudo é contado por um criminologista que não esclarece muita coisa sobre o desaparecimento do casal.
Bem, a musica que Frank canta ano final é legalzinha. Tá, confesso que a que o Brad canta pedindo Janet em casamento é encantadora. E tem algumas partes tão ridículas que é impossível não rir.
P.S: O filme se tornou um sucesso quando começou a ser transmitido à meia-noite nos cinemas do mundo inteiro nos anos 70, curiosidade do Almanaque dos Anos 70, que BTW, agora originará uma nova tag – 70’s.
P.S.S: tá, eu preciso confessar que a voz do Frank é a coisa mais sexy do mundo, mas também serve pra compensar a voz estridente da Janet.
P.S.S.S: ou talvez eu só quisesse muito que a minha vida fosse um show da Broadway e ela é essa coisa em cores opacas de sempre.


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