terça-feira, 22 de novembro de 2011

Secreções, excreções e desatinos

Em Secreções, excreções e desatinos, Rubem Fonseca aborda a realidade através de contos em que o ridículo, o bizarro e o extrema e estranhamente humano se misturam. Como em Cropomancia o homem prevê a sua morte em suas fezes e em O corcunda e a Venus de Botticelli em que um corcunda seduz astutamente uma bela mulher para abandoná-la.
Em Aroma Cactáceo em que dois agentes secretos, um homem e uma mulher, acabam morando juntos e que tem final feliz questionável: “Fomos morar juntos(...) Arranjamos empregos normais. Depois ela engordou. Eu também engordei. Às vezes eu achava que a nossa existência era entediante. Cerise não reclamava, mas eu sabia que ela sentia a mesma coisa. Mas a vida muito tranquila é assim mesmo, uma chatice.”
Acredito que nos contos comentados acima, tem bastante excreções e desatinos, as secreções ficam por conta de Mecanismos de defesa que trata de masturbação e Encontros e desencontros em que a mulher tem distúrbios menstruais.
Todos os catorze contos são legais, mas o que eu mais gostei foi Mulheres e homens apaixonados, onde o flerte do improvável e o fatídico é claro na maneira como Luís e Loreta em que ambos procuram ajuda para conquistarem um ao outro e porque ela não quer fazer xixi nele, tampouco ele não quer pedir para que ela o faça, acabam se desencontrando.
Outras frases do livro:

Como dizia o personagem de um filme de sucesso: “hey, não falem mal da masturbação! É sexo com alguém que eu amo”.
Indecisão tem uma dinâmica singular, começa sendo entre fazer uma coisa e nada fazer, e depois entre fazer uma coisa e fazer outra, no fim alguma coisa acaba sempre sendo feita.
Ouvi dizer que há pessoas que riem para mostrar seus belos dentes e outras que choram para mostrar que tem coração.
Não digo a ela que as pessoas preguiçosas sofrem de impulsos instintivos de realizar alguma coisa, mas não sabem o que.
Li, não sei aonde que, numa separação, aquele que não ama é o que diz as coisas carinhosas.
Meu personagem:  Marcinha de Agora você (ou José e seus irmãos).

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