Eu só compreendi realmente o que o Roland Barthes quis dizer quando assisti esse filme A fita branca, não, nada a ver uma coisa com a outra. É só que quando aquele menininho, o Rudi perguntou pra irmã dele quando a pessoa morria e se ele ia morrer – ele, aquele ser encantador de, possíveis, quatro anos de idade e quinze quilômetros de olhos provavelmente coloridos, porque, embora o filme fosse em preto e branco, a gente sempre sabe quando se trata de um olho azul. Enfim, eu pensei: meu Deus, ele tá morto. Barthes divaga muito sobre isso na droga do livro que eu tive que ler e que eu gostei muito, à despeito de estar procrastinando a resenha que eu já devia ter feito sobre ele.
A fita branca é um filme sobre uma sequencia de atos estranhos de vandalismo e violência que ocorrem antes da Primeira Guerra em 1917 – coisas como um arame colocado na estrada fazendo o médico cair do cavalo, algo, diga-se muito bem merecido; uma propriedade queimada; crianças espancadas e etc. crimes que acabam nunca sendo resolvidos. Mas todos esses assuntos são triviais hoje em dia, ninguém se assusta mais com a violência, o assustador é saber que, mesmo naquela época, a violência já existia. Não, não ria de mim por estar escrevendo isso, eu fico genuinamente triste em confirmar algo que eu já sabia – mas por instinto, não por cultura – que o ser humano é ruim. Não completamente ruim, mas como eu li em algum lugar, a linha que separa o bem do mau está dentro dos nossos próprios corações e quem está disposto a tirar uma parte do próprio coração? Exatamente. Nem tem como. E é só isso mesmo. no mais, o professor da tal aldeia alemã que narra a história se apaixona por Eva que é babá dos filhos da baronesa. Ah, o motivo do meu nojo pelo médico aquele é que, bem, as fotos ilustrarão tudo, mas também um comportamento desses só podia ser concebido por um alemão, sério mesmo, tanta arrogância e brutalidade não poderiam vir de outro povo – desculpa, não é preconceito, é uma conclusão, não gosto deles, até a língua que é muito parecida com o inglês soa agressiva, de certa forma é como se o inglês fosse um alemão estupitizado pelo consumismo americano, mas pelo mesmo motivo humanizado. Mesmo no filme, a moral rígida que eles pregam – e que usa roupas intimas, diga-se, é absurda – que horror ser criança numa época daquelas, e adolescente então, Anna é abusada pelo pai, Martin não pode nem toca punheta porque senão vai “morrer”. Sei não, eu reclamo do Brasil, reclamo da minha época, reclamo da minha condição social, da minha vida miserável, da minha falta de vida social, mas não, não troco elas por nenhuma outra. Obrigada.
Aaaah claro, A fita branca, esqueci de explicar é pra simbolizar pureza, o pastor fazia com que seus filhos usassem fitas brancas pra que ficassem imaculados, livres da inveja, da maldade, da preguiça e etc.
P.S: se todos os alemães acreditassem em algo como isso de fita branca pra purificar, faltariam fitas brancas no mundo. Tá, eu sei, isso foi maldoso. Beijo pra Alemanha. Bem, na real, não. Beijo pra quem quer que esteja tendo a infelicidade de passar os olhos por isso, pode cobrar depois no msn, se convir, eu pago ;*
P.S.S: agora com esse meu ultimo ataque de promiscuidade eu lembrei da cena do primeiro beijo de Eva e o professor, tipo, é tão legal isso, de primeiras vezes. Claro, tem a ansiedade toda, parece que você vai se quebrar inteira por dentro, parece que o meu primeiro beijo foi ontem – haha. Mas não, ontem eu não beijei ninguém, enfim... e o primeiro beijo foi há alguns milhões de beijos atrás, não que isso importe. É só que, bem, quando a menina sorriu depois daquele beijo eu lembrei de quantas – nem tantas – vezes eu senti aquele sorriso em mim, como uma verdade azul, uma coisa que te dá muita vontade de canta qualquer coisa, talvez uma melodia perdida, mas não o que é perdido é o momento. Que se vai. Ai, que triste, semana que vem eu vou pra uma festa esquecer essas coisas no céu da boca de um desconhecido qualquer que também não vai mais lembra meu nome. E que também não vai sorrir azul depois de mais um beijo intermediário.



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